AMOR ACIMA DE TUDO

AMOR ACIMA DE TUDO

O meu lado fluído gosta de se deixar levar, às vezes até na escolha de um filme, feita num zapping inesperado e eis que surge “Amar acima de tudo” (“Evertything Everything” – título original), um filme que me lembra o conto da Rapunzel. A história é simples mas repleta de conteúdo que nos leva a pensar, por um lado, o quanto “demasiado” amor materno pode impedir de viver e, por outro lado, quando a personagem que de alguma forma nos impede de avançar pode também está dentro de nós. Passo a explicar.

Madeleine tem 18 anos e tem uma doença rara desde bebé que lhe afeta o sistema imunitário e a faz ter alergia a praticamente tudo, vive por isso fechada em casa desde então. A mãe, médica, procurou desde aí assegurar tudo o que a filha precisasse para o seu bem estar. Vivem as duas desde que o pai e o irmão de Mady faleceram num acidente. No entanto, a realidade desta família muda quando um novo vizinho se muda para a casa ao lado. Começam a comunicar até que com o passar do tempo se apaixonam. Mady começa a querer tem uma vida normal como os jovens da sua idade e inclusive deseja ver o mar, com que tanto sonha… Um dia os dois fogem por uns dias e fazem uma viagem que permite a Mady ter contacto com o mundo exterior. Para ela, apesar do risco, mais vale viver (no verdadeiro sentido da palavra). Após a viagem e um susto que coloca em causa o bem estar da jovem, esta descobre que afinal não é portadora da tal doença e que este diagnóstico foi feito apenas pela mãe enquanto médica… Só a partir daqui começa realmente a viver!

Compreendem o porquê da Rapunzel?

Por vezes, por amor e com medo de perder quem amamos, procuramos encontrar os mais incríveis subterfúgios que de alguma forma possam garantir que o nosso objeto de afeto se mantenha ao nosso lado dê por onde der. Ninguém põe em causa o amor desta mãe, que após ter perdido o marido e um filho, “não te podia perder a ti também” referiu ela a Mady. O facto de a filha ter uma doença rara, permitia a esta mãe manter-se útil e ter a filha próxima toda a vida. Em Rapunzel, a madrasta refere que o mundo lá fora é perigoso… No filme, as alergias representam bem esta comparação. Mas claro, há um momento de libertação, quando Mady descobre toda a verdade e esse momento permite-a amadurecer e seguir a seu verdadeiro caminho!

Nesta história ou até mesmo em Rapunzel, é como que um elemento externo, neste caso a mãe, impedisse as filhas de irem mais longe, mas tantas outras vezes esses condicionamentos estão mesmo dentro de nós, como se uma mãe nos falasse ao ouvido e nos impedisse de avançar. Como se estivesse em alerta constante fazendo-nos acreditar que lá fora tudo é mais difícil, tudo é mais perigoso e o lugar onde estás é o mais seguro… Como se realmente fosse possível viver “presa”. Tal como Madeleine e independentemente da idade que tenhamos, é sempre tempo de avançar, de deixar para trás limitações internas ou externas que nos impedem de fazer o nosso caminho. Afinal de contas, para viver, vale a pena… viver!

Ah e adorei a banda sonora deste filme, desde aí que uma música não me sai da cabeça, fica aqui para desfrutares: https://www.youtube.com/watch?v=Yv7u3yEIObo

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