BRAVE: O FEMININO SELVAGEM

BRAVE: O FEMININO SELVAGEM

brave-ep-disneyAdoro este conto em filme de animação da Disney e decidi falar sobre ele porque várias vezes oiço comentar quem não goste do filme e, principalmente, quem não o compreenda. Este filme tem imenso conteúdo que para quem é mulher, filha de uma mulher ou com filhas do sexo feminino é impossível ficar indiferente!

A história fala-nos de uma princesa que foge completamente aos padrões considerados normais para esse título. Independente, determinada, que gosta de andar pela natureza montada no seu cavalo, de arco e flecha, ainda sem vontade de assumir responsabilidades e muito menos de casar e, se um dia o fizer, quer que seja por amor e não por conveniência! Mérida lembra a deusa grega Artemis, deusa da fertilidade e da caça. Artemis era considerada uma deusa virgem e quando falo neste conceito, não me refiro ao conceito conhecido socialmente na atualidade. Uma deusa virgem é uma deusa que vale por ela mesma e não necessita do masculino para se completar.

Voltando a Mérida, na história ela é incentivada pela sua mãe a casar. A rainha mãe aparece aqui como uma figura muito vinculada aos valores patriarcais. Ela quer que a sua filha seja perfeita e que faça tudo exatamente dentro dos padrões, provavelmente como ela mesma fez, casando ainda jovem, provavelmente sem amor pelo marido. Isso fez com que se desligasse de si mesma, que deixasse de ouvir as suas vontades e instintos. Neste caso, acaba pro ver estes sentimentos reprimidos espelhados na filha e procura, da mesma forma, reprimir esses mesmos aspetos em Mérida! Como a filha não aceita a escolha da mãe, isto causa um conflito entre elas, o que faz com que Mérida rasgue a tapeçaria onde está a sua imagem retratada junto da mãe e fuja para o meio da floresta, onde encontra uma pequena casinha que atrai a sua curiosidade!

Na casinha vive uma velha bruxa que é também ela sábia, apesar de transparecer um lado algo louco. No fundo é aquela a quem tudo a vida já ensinou, a que tudo sabe, mas disfarça. Acaba por oferecer a Mérida a tal fatia de bolo mágico para “mudar a mãe”, mas os planos não correm como o esperado e a rainha transforma-se numa ursa. Digamos que a velha sábia compreendia bem o que estava a oferecer e a partir deste momento, tudo pode acontecer, dependendo da vontade de Mérida no sentido de reatar a relação com a mãe através do remendo da tapeçaria.

O facto de a mãe ter sido transformada em ursa é um dos motivos pelos quais existiram tantas dúvidas em relação a esta história. A ursa é um animal que pertence à Deusa-Mãe, mas também associado mais uma vez a Artémis. Só por curiosidade: Na Grécia antiga, as meninas entre os 12 e os 16 anos eram cultuadas a Artemis e iam para o meio da natureza, longe do resto da sociedade, onde poderiam crescer e desenvolver a sua personalidade de forma segura. Visto que ainda eram donzelas e não teriam a maturidade suficiente, por exemplo, para casarem, serem mães ou terem relacionamentos sexuais. Só depois desta fase estariam prontas e com a maturidade suficiente para se relacionarem com o resto do mundo. No fundo, talvez tenha sido isto que faltou à Rainha, que casou cedo e não lhe foi possível desenvolver a sua personalidade, pois não teve escolha. Isso fez com que se desligasse dos seus instintos, daí o bolo mágico a ter transformado em ursa. Ela necessitava de voltar a conectar-se com o seu instinto fazendo cair toda aquela forma de ser extremamente exigente e estruturada!

Mérida e a Rainha escondem-se na floresta onde aprendem a conviver as duas e na medida em que a mãe de Mérida começa por desenvolver a ligação ao seu instinto, a filha desenvolve um lado mais responsável, visto que apesar de amar o seu arco e flecha, estava também na altura de desenvolver a sua maturidade.

Após esta jornada a tapeçaria é restaurada, a relação mãe e filha fortalecida e podemos perceber como a Rainha se reconectou com a sua essência, com o seu lado instintivo de mulher selvagem e como isso a tornou mais sorridente, leve e feliz. Ao mesmo tempo, Mérida deixa a sua mãe orgulhosa por ser ela mesma e por ter a capacidade de manter a paz entre os reinos com a sua responsabilidade e maturidade!

Este filme mostra-nos também as três faces da vida da mulher associadas à deusa tríplice, pois podemos ver aqui a donzela (Mérida), a mulher (a rainha) e a anciã (a velha sábia) e a relação entre as três. Mostra-nos também a importância de um feminino curado. Apresenta-nos a história que tantas vezes nós mesmas vivenciamos entre mães e/ou filhas. Ou de como nós mesmas, dentro da nossa psique, contemos esses três aspetos, pois tantas vezes somos como Mérida, mas sentimos que algo nos limita, como se fosse a nossa mãe interna! A reconexão ao nosso lado selvagem numa sociedade patriarcal como a nossa é, nos dias hoje, essencial pois é o que nos faz ser quem realmente somos.

“A liberdade tem um preço, estás disposta a pagá-lo?” Rainha Mãe

Fiquei com vontade de rever o filme, convido-te a fazer o mesmo e se gostaste deste artigo, comenta, partilha e sugere outros. Deixo-te aqui o link do trailer para te recordares.

Vamos tornar Março mais belo ainda, amando e empoderando o nosso feminino. Este é o mês das #mulheresdealma. Comenta, partilha, vamos falar!

Filipa Martinho – Consultas de desenvolvimento humano de carácter pessoal, orientação e aconselhamento via Skype. Cursos e workshops de autoconhecimento presenciais e online. Sabe mais aqui. Queres agendar uma consulta ou participar numa formação? Entra em contacto por aqui.

*imagem encontrada na internet*

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