MAL ME QUER

MAL ME QUER

SONY DSCTenho procurado dedicar este mês ao amor, nomeadamente ao amor próprio, algo que nos convida a estar bem connosco mesmas, a zelarmos sempre pelo nosso bem estar físico ou emocional estando nós ou não numa relação. Ter uma relação faz parte da condição humana. Significa estar com alguém com quem possamos partilhar tudo aquilo que somos, os nossos sonhos, alegrias e tristezas. No fundo, todo o nosso ser. Por isso, um relacionamento merece não só amor, como também respeito por nós mesmas e pelo outro. No entanto, no decorrer da  jornada a dois, a caminhada a par pode deixar de fazer sentido, seja porque a forma como se foi avançando foi em desequilíbrio, seja porque cada um escolheu um caminho diferente.

Escolhi falar deste tema neste momento, porque se tem tornado uma realidade quase constante atualmente nas minhas consultas e workshops. Não tem necessariamente a ver com nenhuma “praga” social a partir da qual subitamente as relações começam a quebrar-se. Poderá estar sim relacionado com a transformação pessoal e o propósito de cada um. O fim de um relacionamento não é o fim do mundo, é sim o fim de uma etapa de vida mas, ao mesmo tempo, o início de uma nova.

Não sei se passaste ou estás a passar por um processo destes no momento, no entanto deixo-te aqui alguns pontos a teres presente quando terminas uma relação. Não é um guia de sobrevivência, mas antes de esperança de que a tua nova vida está a ponto de começar!

Tudo acontece por uma razão

Quando inicias uma relação, obviamente esperas ser muito feliz com a pessoa que está contigo, mas na medida à que os anos passam, tudo pode tornar-se diferente e apesar de ainda haver sentimento, vocês podem já olhar para o horizonte com propósitos diferentes. Afinal, o tempo passa, a vida vai transformando, já não são quem eram quando a relação iniciou, descobrem-se agora diferentes. Quando isso acontece, não adianta forçar e procurar moldar-te ou moldar o outro ao teu gosto, mais vale aceitar que talvez a vossa caminhada juntos tenha terminado e guardarem o melhor que essa relação ofereceu!

Fizeste o teu melhor

Nas minhas consultas, costumo dizer que aparecem dois tipos de mulheres: as que se culpam porque acham que fizeram demasiado pela relação e as que se culpam porque considerarem que podiam ter feito mais para que a relação não terminasse! Sentir culpa pelo que foi ou pelo que teria sido é uma imensa frustração e um sentimento muito típico quando a relação termina.

Lembra-te que fizeste o teu melhor, nem de mais, nem de menos. Fizeste o que tiveste vontade no momento em que estavas na relação. Afinal, acreditaste no amor e na pessoa que tinhas ao lado. Se não deu certo foi porque vocês estariam em “ressonâncias” diferentes e ficar presa no “e se…” não te vai trazer nenhuma resposta, pois nunca saberás como poderia ter sido. Por isso, perdoa-te e quando digo isto, quero dizer, liberta-te das culpas, aceita como tudo foi e observa o que podes ter aprendido e o quanto isso contribuiu para a tua evolução.

Dá-te o tempo que precisas

Sim, sair de uma relação é indiscutivelmente doloroso. Afinal, alguém que fazia parte da tua vida de repente deixa de fazer e tudo muda à tua volta. A tua vida, as tuas rotinas e provavelmente os teus objetivos. Como dizem as minhas alunas “fica-se com a sensação de que nos passou um camião por cima e ainda fez marcha atrás” e nesta fase é natural que precises de tempo para ti mesma para te recuperares, cuidares as tuas feridas, expressar as tuas emoções. É natural que estejas triste e é bom chorar, que te sintas zangada e te apeteça bater nas almofadas e que possas saudavelmente deitar tudo isso cá para fora e aos poucos poderes ir libertando-te dessa dor. É muito importante que passes por este processo e não procures disfarçá-lo numa noite de copos e num imediato novo romance. Provavelmente – e em pouco tempo -, isso fará com que te sintas pior. Respeita-te e respeita o teu tempo, esse tempo que é só teu e te permite fazer balanços, te permite reconhecer essa mulher que agora és e que te permite começares a planear a tua nova vida.

Deixar para atrás

Para avançares há coisas a deixar para atrás e é hora de fazer uma limpeza daquilo que te traz recordações, pois tudo aquilo que se mantém e te lembra do que foi faz com que de alguma forma ainda te sintas presa ao passado. Por isso, toca a limpar tudo aquilo que já não faz sentido que esteja na tua vida e sim, isso inclui cortar contacto com a pessoa com quem estivemos (se isso for possível, claro). Isso é fundamental e, numa primeira fase, saudável. Caso contrário, ou tu ou a outra pessoa ainda se enchem de esperanças. A história de se querer manter uma amizade após a relação é algo egoísta, pois como disse anteriormente, é necessário tempo para que interna e externamente tudo estabilize. Obviamente que se houver filhos, o contacto terá de manter-se, mas numa fase inicial, que seja o contacto necessário e com o maior respeito possível. Afinal, mesmo que não tenha dado certo, em algum momento fizeram parte da vida um do outro.

Amigos e família

É para isso que servem não é verdade? Para estarem lá nestas ocasiões em que precisas de desabafar, em que precisas de apoio. É importante rodeares-te de quem gosta de ti e gostará incondicionalmente. De quem te motive e incentive, que compreenda as tuas lágrimas, te faça sorrir.

Procura ajuda ou apoio profissional

Às vezes a relação de onde saíste pode ter sido muito complicada. Uma relação tóxica, manipulativa ou violenta. Pode ter deixado marcas bem profundas, ter afetado negativamente a tua auto estima e ter-te deixado com dúvidas em relação a ti mesma e à tua vida. Os teus pensamentos e emoções podem estar presos ao que aconteceu e impedir que sintas segurança para avançar. Se assim for, procurar apoio profissional. Esse pode ser o primeiro passo de amor por ti mesma e não é vergonha nenhuma. Afinal, quem nunca terminou uma relação? Isso pode ser uma grande ajuda para ti e nunca se sabe até que ponto a tua experiência não poderá posteriormente fortalecer-te para que um dia possas apoiar alguém que passe pelo mesmo.

Ritual

Se te fizer sentido, em primeiro lugar, escreve uma carta à pessoa com quem tiveste a relação (carta essa que não será para enviar), onde dizes tudo o que sentes, tudo. Onde conste o que foi negativo e depois o que foi positivo, o que aprendeste e o que levas dessa relação. No final, escreve o quanto estás grata pelo tempo que passaram juntos. Afinal, lembra-te que por melhor ou pior que a relação tenha sido, a responsabilidade foi dos dois e mesmo que tenha deixado de fazer sentido, fez parte da tua vida. Depois, sozinha ou com o apoio dos teus amigos, faz uma pequena cerimónia, na qual possas queimar a carta.

Self-care, self love

Amor próprio, auto cuidado, mimar-te. Esses são os primeiros passos que deves ter para contigo quando terminas uma relação. Sei que já falei várias vezes do livro/filme “Comer, Orar, Amar” mas o que acontece na história da autora retrata bem o que acontece quando uma relação termina. Repara como ela tomou a atitude de procurar conhecer-se, mas o primeiro passo foi mimar-se. Ir para Itália desfrutar do prazer de viver. Sei que podemos não ter a possibilidade de ir para Itália neste momento, mas onde quer que estejas mima-te com tudo aquilo que te faz bem e te sabe bem. Cuida de ti como o farias com uma amiga que passasse pela mesma situação que tu. Leva-te a lugares bonitos e agradáveis, come coisas que gostas, tira umas mini férias para ti. Claro que podes convidar uma amiga para te acompanhar, mas mima-te!

Superar e novas oportunidades

Quantos planos terias tu na gaveta que ainda não tinhas tido oportunidade de realizar? Pois bem, nova vida, nova oportunidade de começares a colocar em prática esses planos. Apesar de uma rutura ser um momento difícil, tu podes escolher como iniciar esta nova etapa. Querias viajar? Querias mudar de casa? Frequentar aulas de dança ou ir para o ginásio? Fazeres um retiro? Estar mais com os amigos? Ler mais? Frequentar algum curso? Seja o que for, este é o momento para adquirires novos hábitos e começares a superar o que aconteceu!

Sim, um dia voltarás a apaixonar-te e a acreditar no amor

É, eu sei, quando saímos de uma relação temos aquela sensação que tão cedo nunca mais! As desilusões, deceções e mágoas contribuem para isso, mas se conseguires respeitar o tempo que necessitas para ultrapassar o final da relação, se cuidares das feridas e aproveitares o que aprendeste, um dia vais voltar a apaixonar-te e, nesse momento, com outra maturidade, outra visão, outros planos. Somos naturalmente assim. Não há como fugir do nosso sistema biológico e emocional e ainda bem que assim é, pois tens uma nova oportunidade de dares uma nova chance a ti mesma e ao amor. Eu sei que numa fase inicial poderá não fazer sentido, mas um dia irás agradecer à relação anterior por não ter dado certo. Graças a isso poderás agora usufruir de uma nova relação que te faz ainda mais feliz!

Workshop Online Bem me Quer, Mal Me Quer dia 8 de Março, sabe mais aqui

Filipa Martinho – Consultas de desenvolvimento humano de carácter pessoal, orientação e aconselhamento via Skype. Cursos e workshops de autoconhecimento presenciais e online. Sabe mais aqui. Queres agendar uma consulta ou participar numa formação? Entra em contacto por aqui.

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