COCO E O PERTENCER À NOSSA FAMÍLIA

COCO E O PERTENCER À NOSSA FAMÍLIA

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Fotografia: © 2017 Disney • Pixar. All Rights Reserved.

Ai disney… Não páras de surpreender! E mais uma vez, não decepcionaste, bem pelo contrário. “Coco” é dos teus filmes de animação mais profundos e belos!

Quem não viu, recomendo vivamente ver, porque apesar de com certeza existir uma explicação doce para as crianças sobre o significado da morte, eu diria que da mesma forma este filme é também direcionado para o público adulto, já que basta percebermos o quanto na nossa sociedade a morte é quase um tabu… Como se isso fosse possível!

O filme passa-se no México, onde é celebrado “el dia de los muertos” (o dia de todos os santos no calendário cristão). Neste dia os familiares visitam o cemitério enchendo as campas com oferendas para os elementos da família que já partiram, pois supostamente nesse dia, estes têm a possibilidade de visitar os familiares vivos… A não ser que sejam esquecidos e aí a visita não pode concretizar-se!

Miguel é um miúdo animado que sonha ser músico, numa família em que a tradição é que de geração em geração, todos os membros se tornem fabricantes de sapatos. Aqui percebemos como a vontade da família procura ter força em relação aos sonhos, como se adoptando a tradição familiar cada elemento sinta que “faz parte” e honra a família. Neste caso, o costume da tradição de fazer sapatos vem da tataravó de Miguel, que exerceu esta atividade para sobreviver. Desta forma, quando as gerações seguintes mantêm esta tradição, sentem que estão a manter o amor e a ligação a este elemento querido que já partiu!

Mas Miguel é diferente, sonha com a música e na sua família nem se pode proferir a palavra “música” e ele não percebe o porquê. Porque é que algo para o qual tem tanto talento e adora não é apoiado pela restante família? Aqui começa a sua saga. Sem ter resposta para esta questão, ao mesmo tempo vai procurar compreender o que é feito do seu tataravô do qual também é proibido falar no seu seio familiar e cujas fotografias foram rasgadas!

À medida que o filme se desenvolve, Miguel consegue descobrir que o seu tataravô foi também músico e que graças a uma série de mal entendidos, a família acreditou que este a tinha abandonado pela sua carreira musical e, por isso, decidiu esquecê-lo a ele e a tudo o que o fizera lembrar… Principalmente a música! A única que ainda o recorda já com alguma dificuldade, é a bisavó de Miguel, Coco, que recorda com saudade o seu pai.

Aqui manifesta-se uma lei sistémica (relacionada com as Constelações Familiares, uma área terapêutica que eu adoro), a Lei do Pertencimento, que refere que todos os elementos pertencem a uma família e ninguém pode deixar de pertencer. Ou seja, resumindo, é simples: uma vez na família, para sempre na família! Por isso é impossível tentar esquecer, eliminar ou excluir algum elemento no seio familiar independentemente daquilo que possamos sentir, pois e como bem podemos ver neste filme, quando por algum motivo o fazemos, alguém na família virá manifestar características desse elemento que se procurou esquecer. Isto para fazer lembrar e recordar que todos fazem parte, todos são da família e todos têm de ser lembrados… E foi isso que Miguel manifestou, um talento que estava ligado ao seu tataravô que ele nunca conhecera e de quem nada sabia!

Miguel sente que para ser feliz e seguir o seu sonho, tem de receber a bênção dos seus tataravós e daí a sua busca por conhecer este elemento da família. Conhecer a sua história familiar e receber a bênção deste, ao mesmo tempo que enquanto o faz, traz a sua “presença” através da lembrança para a família! Isto foi muito importante, pois a sua bisavó Coco, era a única a ter alguns flashs de memória sobre o seu pai e dado o avançar da idade e os lapsos de memória, poderia fazer com que este fosse esquecido para sempre e se isso acontecesse, a memória do avô desapareceria e Miguel não sentiria o apoio nem a bênção em relação ao seu sonho! Mas, com o tempo já a esgotar-se, Miguel canta para a sua bisavó a música que o pai desta lhe cantava, fazendo-a recordá-lo com maior lucidez e trazendo finalmente a lembrança deste para a família para que pudesse ser também honrado como tal! Finalmente Miguel consegue receber a bênção dos seus tataravós para realizar o seu sonho de ser músico, assim como o apoio de toda a família.

Um filme que não podem perder, pois ajuda-nos a compreender que independentemente do que cada elemento da família tenha feito, (no caso de Miguel era um talento criativo, mas que era visto enquanto maldição na família) não pode ser esquecido e que mesmo quando já não podemos ter contacto com esses familiares, quando estes são integrados na família, conseguimos sentir a força para avançar, pois nada nem ninguém avança da vida se algo na sua árvore genealógica (as raízes) forem cortadas… A natureza ensina-nos isso.

Além de tudo isto, o filme é divertido, muito animado, colorido e emocionante! Desfrutem deste magnífico filme, vão amar… com pipocas, bebida e kleenex 😊 E falando em lembrança, fica aqui a música que toca o coração e a alma que faz parte da banda sonora:  Lembra-te de mim.

Através deste filme entendemos, mais uma vez, como os “contos de fadas” não são apenas para crianças. Como através deles, nos vemos ao espelho, contando a nossa vida e as nossas jornadas. Como também é possível aplicá-los para evoluir enquanto seres humanos. Este é, sem dúvida, a representação perfeita disso.

Filipa Martinho – Consultas de desenvolvimento humano de carácter pessoal, orientação e aconselhamento via Skype ou presencial. Cursos e workshops de autoconhecimento presenciais e online. Sabe mais aqui. Queres agendar uma consulta ou participar numa formação? Entra em contacto por aqui.

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