RETIRAR(-ME)

RETIRAR(-ME)

4ff9d0_dcd10cdfdf734c2dbff749a2743ceda5-mv2_d_4592_3056_s_4_2.jpgHá alturas em que precisamos de momentos só nossos, do nosso próprio barulho e silêncio, das nossas próprias vozes que no exterior não conseguimos ouvir. Há alturas em que precisamos dos nossos próprios conselhos, da nossa intuição e verdade. Lá fora (fora de nós) talvez tudo esteja um pouco confuso, algo ruidoso, às vezes acreditamos que é lá que estamos porque lá existem coisas, porque existe gente e confiamos que estaremos melhor na companhia de alguém do que com a nossa própria companhia. Lá fora, às vezes, as palavras são de algodão para não magoar e dizem-nos coisas que queremos ouvir. Dentro achamos que as palavras podem ser lancinantes, impiedosas. Seremos nós esses carrascos pessoais para nós mesmos? Porque de estarmos connosco mesmos surgem expressões de “solidão”, “abandono” e “depressão”… Não serão antes “estar na nossa própria companhia” ou “desfrutar dos nossos próprios momentos”?

Há dias em que é bom retirar-nos do mundo por instantes para saber quem somos, se somos os mesmos há anos ou nos descobrimos novos, para conhecer os traços que a vida nos tem colocado através daquilo que temos vivido. “Quem serei eu agora? Que serei eu agora?”

Os ruídos de fora não nos deixam ouvir e às vezes isso dá jeito, mas é provisório. Dentro de nós está alguém que se faz sentir e se quer ouvir. Quem é? Sou eu mesma! Aquela que pede a atenção por tanto tempo ignorada, temida. Porquê medo de me descobrir? E se amar quem sou agora? E se gostar das marcas que a vida me tem deixado? Tudo bem! Mas… e se assim não for? Se não reconhecer quem agora sou, se existir esse estranho em mim? Poderei amar também, poderei aceitar, poderei cicatrizar, conversar com esse ser que sou eu mesma, que somos nós mesmos!

Retirar do desenfrear do stress diário, do habitat não natural, mas antes habitual. Retirar-me para que os meus olhos conheçam outras paisagens, outros aromas e sabores, para que cada minuto seja consciente daquilo para onde olho, consciente daquilo que saboreio, consciente de como respiro. No fundo, consciente do que delícia a minha alma!

Retirar apenas por uns dias para estar comigo, conhecer-me, ouvir-me, ver-me, tocar-me, namorar-me, apaziguar-me, libertar-me. Apenas por uns dias, porque o contacto com o outro, com o ruído, com a confusão, trazem o outro lado que também sou e assim me equilibro e me descubro e trago novos motivos para me retirar outra vez. E assim percebo que vivo em  ciclos, como as luas, como a estações e, da mesma forma, com cada fase trago algo novo para mim que me completa ainda mais e me dá a resposta e o sentido à minha alma mestre e aprendiz!

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