PELE DE FOCA, PELE DA ALMA

PELE DE FOCA, PELE DA ALMA

4ff9d0_a95dde1218614acaa3b23dcda3086328-mv2_d_4592_3056_s_4_2.jpgEste conto, acompanhou-me esta semana, falei sobre ele numa palestra e por algum motivo senti que deveria partilhá-lo aqui convosco e partilhar o seu significado. Pele de Foca, é um conto que podemos encontrar no livro “Mulheres que correm com os Lobos” e que nos toca a alma profundamente! Podes encontrar o conto aqui!
A pele é o maior orgão do nosso corpo, protege-nos, é um orgão associado à nossa identidade, a quem nós somos. O conto Pele de Foca, fala-nos da pele da nossa alma, na nossa natureza, de quem somos verdadeiramente, do nosso instinto, da nossa intuição! Atualmente, a mulher nos dias de hoje, sente demasiadas pressões externas em relação à sociedade, ao casamento, à profissão, à família. Pressões às quais procura corresponder, exigências externas, que se tornam internas, mas que lhe retiram a força, que a moldam, que a fazem perder o contacto com a sua própria natureza. Com a sua própria pele, com a pele da sua alma!
No conto, a pele da mulher-foca é perdida, roubada. Quantas vezes isto nos acontece ao longo da vida, acreditando que o fazemos por nobres causas, “perdemos a nossa pele”, sem perceber se essas causas são verdadeiramente as nossas. Perdemos a nossa pele, quando nos esquecemos de nós mesmas, quando não damos atenção ao que fazemos ou quando aquilo que fazemos nos desconecta da nossa alma. Seja porque somos demasiado exigentes e perfeccionistas connosco, seja porque procuramos agradar os outros, seja porque desejamos ser as mães, filhas, esposas e profissionais perfeitas e assim nos violentamos porque nos afastamos da nossa verdadeira natureza.
Perder a pele significa perder a conexão com a alma. No conto, a Mulher-Foca perde força, perde o cabelo, perde a visão, a pele resseca e fica branca como a cal, deixa de conseguir caminhar. Assim acontece connosco quando perdemos a ligação à nossa natureza. Perdemos força e vitalidade até para as coisas de que gostamos, não reconhecemos quem somos quando olhamos no espelho, sentimo-nos perdidas sem saber para onde caminhar,  perdemos a ligação com os nossos instintos e criatividade, sentimos a nossa alma presa nas exigências diárias externas!
Tendo em conta que nos contos de fadas todas as personagens representam partes de nós, assim é também connosco, mesmo que a história se manifeste fora de nós, o mesmo está a acontecer dentro. e por isso, quantas vezes procuramos fora, algo que console a nossa dor interior. Quantas vezes nos vamos prometendo coisas às quais depois falhamos e nessas falhas ressecamos ainda mais e mais longe ficamos da nossa essência!
Há um momento muito emocionante neste conto, que é quando o filho encontra a pele da mãe e lha devolve e esta, aquando dessa descoberta, tem de escolher se regressa ao mar ou fica junto da família. O filho revela-nos esse aspecto da nossa criança interior que tantas vezes nos salva e nos oferece a solução, mas recorda que cabe a nós a última decisão. Não há como evitar, é decisivo para a mulher-foca esse regresso a casa, o retorno às águas, que lhe devolve o contacto com o seu inconsciente, com as suas emoções, com quem ela realmente é, que lhe devolve o brilho dos cabelos, a visão, a vontade de caminhar, a luminosidade da pele. Ou seja, a luz de quem ela é!
Como mulheres, temos de conhecer os ciclos da nossa alma, equilibrar o consciente com o inconsciente. Reencontrar a nossa criança interior e principalmente encontrar algo que nos faça retornar “ao lar”, à nossa natureza, que nos permita vestir novamente a nossa pele! Como? Desenvolvendo, por exemplo, uma nova atividade que permita que a nossa alma se expanda. Podemos bordar, pintar, dançar, escrever, estar entre outras mulheres, ter momentos sozinhas, para sermos nós mesmas, é nestes momentos que nos voltamos a reconhecer!
Sim, é verdade, continuaremos com as exigências externas e por isso é que a cada momento devemos procurar “voltar às águas”, ao lar, pois é quando voltamos ao lar (à nossa alma) que nos reconectamos com a nossa intuição, imaginação, com os nossos instintos e encontramos a tal paz interior!

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