CHARME DE OUTONO

CHARME DE OUTONO

4ff9d0_f300666e527a4909b4dbbd8891841ce4-mv2_d_4592_3056_s_4_2.jpgCharme… na estação de folhagem castanha que cai das árvores e inunda passeios de cor de avelã, nos nevoeiros matinais que abraçam os casacos recém vestidos após o calor, no pôr do sol de fim de tarde acompanhado por uma leve manta e um chá. No passeio do bosque já orvalhado, nos dias que aos poucos se transformam em noites maiores, no cheiro a castanhas num passeio pela baixa, no canto grato das vindimas pelas últimas colheitas do ano. Nos bandos de pássaros que se despedem, no calor que se recebe pela vidraça na tarde já fria, na terra húmida que já se vai preparando para hibernar. Nas primeiras chuvas que molham os pés e braços ainda despidos pelo verão, nos reencontros e cafés com as amigas já saudosas, nas visitas da família aos domingos, no fim de ciclos e início de outros novos, novos projetos, novos cadernos por escrever e novos livros por ler…
É o charme de outono que no despir da folha nos mostra que é tempo de libertar e deixar ir aquilo que na nossa vida já nos vestiu mas não nos serve mais, que em algum tempo nos pode ter embelezado, protegido, identificado, mas que agora é momento de já ser passado, pois quando deixamos ir aquilo que pensamos ser quem eramos, que pensamos ser parte de nós, mas que não é mais, experimentamos o “estar despidas”, tal como as árvores, para nos refazermos e reconhecermos novamente! Não vale a pena segurar, não vale a pena resistir libertar, pois isso só mantém uma jarra de folhagem já murcha que nos impede de ser quem somos. Medo de deixar ir? Porquê? As árvores não lamentam as folhas que agora caem, aceitam que é a natureza, que é vida e que é feita de processos e que nos ciclos, nas estações, há o tempo da chegada, mas há também o tempo da partida!
E sim, chegam as segundas colheitas, as vindimas que em cada cacho de uvas, celebram o ano abundante que passou, e relembram que a vida é generosa, pois mesmo nos momentos em que temos de deixar ir, ao mesmo tempo, celebra-se com o vinho da gratidão aquilo que recebemos!
O outono tem este charme e esta magia que nos vai convidando aos poucos a recolher, que nos pede que soltemos aquilo que já não tem a ver connosco (aspetos da nossa personalidade, pessoas, situações, repetições), que possamos agradecer por tudo quanto recebemos até agora, pois tudo por quanto passamos fez de nós o que somos hoje. Convida-nos também a planear e iniciar, a materializar novos projetos, novas ideias, novos objetivos, novas maneiras de ser e estar, que ao mesmo tempo saibamos equilibrar esses momentos de ação com outros de relaxamento, afinal é outono e o chocolate quente começa a apetecer, tal como a companhia de quem nos faz bem, tal como fazer o que nos faz bem e… sem medo. Afinal, de entre todas as coisas maravilhosas que a vida nos oferece, uma delas são os ciclos que nos mostram que sempre que algo termina, algo novo começa e que estamos sempre a tempo de recomeçar, seja lá em que parte do caminho estejamos. Porque afinal, o caminho de cada um não é igual ao de ninguém e estamos sempre no lugar certo e sempre a tempo de fazer de novo, mas desta vez que seja realmente com novas fórmulas, para que quando dentro de um ano chegue o próximo outono, estejamos novamente gratos e preenchidos por termos caminhado mais uma etapa e, nessa, nos termos reconhecido mais uma vez!
Feliz Outono, Feliz Mabon, Felizes Colheitas.

 

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