CÉLULAS

CÉLULAS

SONY DSCNuma das minhas leituras de verão “Comer, Orar e Amar”, a autora Elisabeth Gilbert, ao descrever uma parte da sua história num momento difícil do seu divórcio, decide escrever uma petição a Deus, onde argumenta: “(…) Mas o meu entendimento é que a saúde do planeta é afetada pela saúde de cada um dos indivíduos que o habita. Enquanto houver duas pessoas envolvidas num conflito, todo o mundo é contaminado por isso. Da mesma forma, se uma ou duas pessoas puderem ser libertadas da discórdia, isso aumentará a saúde geral do mundo inteiro, tal como algumas células saudáveis num corpo podem aumentar a saúde geral do mesmo”.
Esta afirmação é de uma profundidade incrível porque nos faz pensar que talvez a forma como vemos o mundo lá fora, seja um reflexo de como nos sentimos cá dentro, das nossas relações, sejam elas apaziguadoras ou conflituosas. Ao tomarmos consciência disso, é possível que afinal e, ao contrário do que pensávamos, possamos fazer alguma coisa por que marque a diferença. Talvez possamos ser as tais células benéficas, procurar melhorar as nossas relações connosco mesmos e com tudo aquilo que nos rodeia. É possível que não sejamos apenas vítimas do sistema, porque também fazemos parte dele e, por isso, temos todo o direito de intervir em prol do nosso bem maior, intervir dentro dos nossos sistemas mais próximos. “Sê a mudança que queres ver no mundo” dizia Gandhi!
Estamos em Setembro, de regresso ao trabalho, numa altura em que a vida insiste em nos incentivar a transformar, quase como se nos dissesse “se não for a bem, vai a mal”. Isto porque temos vindo a utilizar a mesma velha fórmula vezes sem conta, que já sabemos que não resulta. Temos vindo a levar abanões por todos os lados e preferimos acreditar que somos vítimas do destino. Continuamos em conflito interno e a procurar “empurrar com a barriga” situações e relações da nossa vida que já não funcionam, seja com pessoas, seja com o trabalho, seja com o dia a dia e, principalmente, connosco próprios!
Setembro tem esta característica de mês iniciático em que no nosso íntimo desejamos que algo mude e tudo melhore, mas nada acontece se cada um não fizer por si e pela sua vida. Ou então sim, algo muda. Mas como eu costumo dizer, “à força” e de uma forma que nos avassala de vez e nos faz cair da prancha quando estávamos mesmo na crista da onda!
Termos uma oportunidade de saber que sim, cada um de nós representa uma célula da nossa vida, no nosso planeta e que podemos  fazer algo por nós mesmos e com aqueles que nos rodeiam pode ser o primeiro passo para um bem maior! De que adianta continuarmos com relacionamentos, amizades ou sociedades que não resultam? De que adianta mantermos conflitos alimentados por emoções negativas e depois insultarmos os conflitos que vemos na televisão? De que adianta continuarmos submetidos a atividades, trabalhos, crenças e padrões que não nos nutrem e depois queixarmo-nos do sistema, seja ele qual for? Quantos mais “terramotos” internos terão de se manifestar nas nossas vidas para que finalmente possamos um dia mudar e seguir o apelo da nossa própria alma?
Como diz o ditado: “Se não formos nós, quem? Se não for agora, quando?” e acrescentaria: E quanto é que isso nos irá custar? E não falo apenas do aspeto financeiro. Falo de saúde, de bem-estar, de qualidade de vida, de família, de cumplicidade, de amizade, de compaixão!
Creio que com tudo o que temos observado fora de nós, que de alguma forma espelha o que vai dentro, seja agora o momento dessa transformação: de passarmos do estado barato de reação para o estado de energia da ação. Não é necessário deitar fogo a tudo para começar de novo, as transformações mais efetivas fazem-se de pequenos mas estáveis passos sempre e quando estes estejam de acordo com o impulso do nosso coração, o apelo da nossa alma, a vontade do nosso corpo!
Acredito em mim, acredito em nós, acredito na humanidade e acredito que “se uma ou duas pessoas puderem ser libertadas da discórdia, isso aumentará a saúde geral do mundo inteiro, tal como algumas células saudáveis num corpo podem aumentar a saúde geral do mesmo”.

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