PEDRÓGÃO E TODOS NÓS

PEDRÓGÃO E TODOS NÓS

heartEsta semana um acontecimento trágico invadiu Portugal. Um incêndio sem precedentes, provocado por causas naturais irrompeu floresta adentro arrastando e destruindo tudo o que surgia pela frente, inclusivamente vidas humanas perdidas em segundos. Este é o facto que mais nos comove, estamos habituados a dizer que “Portugal está num cantinho do céu” porque, de facto, quando nos deparamos com as calamidades que vemos em outros territórios, tudo o que acontece por cá parece (felizmente) pouco. Mas desta vez foi diferente, desta vez a dimensão foi grande e isso veio provar-nos que de facto não acontece só aos outros.

Muitos de nós poderiam conhecer vítimas, ou conhecer quem conhecesse e fomos invadidos pela sensação de injustiça, olhamos para a televisão incrédulos com o que víamos “não pode ser, não pode ser cá” pensamos nós com um nó na garganta e um aperto no coração procurando, de alguma forma, acreditar que o que estava a acontecer era apenas um pesadelo do qual iríamos despertar… mas isso não aconteceu, porque desta vez foi a sério e foi no nosso país!

Quando situações destas acontecem, sou constantemente invadida pelas minhas questões existenciais relacionadas com a natureza humana: Porque aconteceu? Para quê? Porque tinha de ser assim? Eu acredito na alma e por isso perguntava-me como se estariam a sentir essas almas com aquilo que inesperadamente aconteceu às suas vidas. Todos nós fomos capazes de sentir a dor só de imaginar o que poderiam ter passado essas pessoas numa tentativa de sobreviverem. Imaginar como estariam os amigos e familiares destas…

Isto relembra-nos o quão frágil é a vida e, por isso, o quão valiosa é! O quanto a desperdiçamos dando importância a detalhes insignificantes, a viver de rancores, projeções, acusações, raivas… para quê? O que aconteceu prova-nos que sim, hoje estamos aqui, amanhã não sabemos. Essas pessoas teriam com certeza planos, desejos, um local para trabalharem, poderiam estar de férias, teriam dito “bom dia” a alguém da parte da manhã, exatamente como nós, não estariam à espera que nesse mesmo dia tudo terminasse. Tal como as pessoas que as conheciam e que esperavam vê-las no dia seguinte… mas para as primeiras, já não houve dia seguinte e para as outras, houve uma profunda dor de perda, de saudade e desespero!

O que faria cada um de nós se soubesse que amanhã já cá não estaria? Estaríamos bem com tudo o que concretizamos até agora? Bem connosco mesmos? Haveria alguma situação mal resolvida com alguém? Estariamos em paz com tudo o que fizemos? E da mesma forma, como seria se soubessemos que alguém que amamos já não estaria connosco amanhã? Dissemos tudo o que tinhamos para dizer? Estamos bem com esse alguém? Está tudo resolvido?

Sim, no nosso dia a dia não pensamos muito nisto e o intuito deste texto não é dramatizar mas, antes, lembrar que talvez seja imperativo dar importância ao que verdadeiramente a tem: à vida, enquanto a temos e àquilo que fazemos com ela. Às pessoas que estão na nossa vida, porque de facto, conhecemos a vida minuto a minuto e cada minuto é uma benção. É dificil ver o lado positivo naquilo que aconteceu, no entanto, houve uma mobilização solidária sem precedentes, o que dá que pensar.

Minuto a minuto agradeçamos pela vida que temos, pelas oportunidades que a vida nos oferece, nem que a princípio nos pareçam negativas. Digamos mais vezes às pessoas que nos rodeiam o quanto as amamos, saibamos perdoar, libertar e deixar para trás aquilo que não alimenta a nossa alma. Abracemos mais, vamos sorrir mais. Saibamos agradecer mais, vejamos as coisas boas que a vida nos oferece, uma delas é a própria vida, esta que vives neste preciso minuto em que lês este texto e se o lês é porque estás vivo e isso, como tivemos a oportunidade de constatar através da dor que sentimos esta semana, é a maior bênção!

(Dedicado às almas que partiram nos incêndios de Pedrogão Grande, às suas familias e amigos e ao esforço incansável dos bombeiros!)

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