ERA UMA VEZ

ERA UMA VEZ

DSC02839x.jpgQuem nunca passou por uma situação na vida que fizesse lembrar determinado conto de fadas? Não falo apenas dos famosos finais felizes, falo também de determinados aspetos da jornada do herói ou da heroína que nos faz lembrar de nós próprios. Aliás, por vezes até nos identificamos com outra personagem, seja pelos desafios que esta enfrenta, seja pela sua personalidade ou pela própria estória. Isto acontece porque de facto os contos de fadas são muito mais do que estórias de embalar para crianças. Quando surgiram, eram dirigidos para o público adulto como uma forma de passar o tempo. Há quanto tempo é que existem? Pois… “Tale as old as time”, os contos são mesmo tão antigos como o tempo e estes vão-se adaptando a ele, mantendo, no entanto, a sua essência, por isso é que todo começam com “Era uma vez…”. Assim, não é de estranhar que os contos mais antigos nos mostrem uma realidade, adaptada a esse tempo e os mais recentes já nos apresentem variações diferentes. O que é que têm de mágico? É que se repararmos no que sentimos quando ouvimos um conto, ou vemos a sua adaptação no grande ecrã, parece que nos fala à alma, sentimos o coração bater, sentimos muitas vezes como se fosse a nossa própria história!

Reparem em alguns pequenos exemplos:

Cinderela mostra-nos como procura ser integrada e aceite pela sociedade e, ao mesmo tempo, que tudo tem um momento certo para acontecer e que isso por vezes implica sacrifício e resiliência. Quantas vezes procuramos ser aceites ou, como ela, temos a sensação de estar à mercê de algo ou de alguém e temos de esperar o tempo certo para agir e sair da situação que não desejamos? Mostra-nos também, através dos seus sapatos, que estes representam a nossa personalidade e que por isso não podemos “calçar” os sapatos de ninguém sem que isso nos magoe a nós mesmos.

Rapunzel que, se por um lado, acredita que está segura na sua área de conforto, por outro descobre que talvez haja algo mais para além da torre e isso faz com que tenha de enfrentar e debater-se com quem está mais próximo. Entende que há laços que tem de cortar para poder seguir os seus desejos… E que bem que nós sabemos o quanto a “nossa torre” é confortável, acreditamos que temos tudo o que precisamos, mesmo que isso seja uma ilusão e tantas vezes resistimos a olhar para além dela por receio do que teremos de enfrentar, dos laços que teremos de cortar.

A Mérida mostra-se como uma princesa guerreira, de personalidade forte, com vontade própria e que não se identifica com a tradição familiar que lhe é imposta. Deseja, por isso, poder ela mesma fazer as próprias escolhas que têm a ver consigo mesma. Também nós sabemos o preço que isto nos custa, quando queremos seguir outros caminhos diferentes dos tradicionais e temos de assumir quem somos e o que verdadeiramente desejamos.

Ah e a Maléfica?! Esta personagem não é uma princesa, mas uma fada/bruxa que foi traída e a quem roubaram as asas, que manifestou sede de vingança. É curioso entender que até com esta personagem desenvolvemos uma espécie de empatia, pois em algum momento ou área da vida podemos ter sentido as nossas asas cortadas e, com isso, sentimos a dor, a raiva e até podemos ter chegado ao ponto de não nos reconhecermos.

Poderíamos estar aqui durante imenso tempo que não faltariam estórias, heróis e heroínas, fadas e vilões. No fundo, uma imensidão de contos e personagens com as quais nos podemos identificar. Podemos identificar-nos apenas com uma personagem em particular e com a sua jornada ou podemos sentir que temos um pouco de todas elas em nós, o que é natural porque os contos de fadas para além de poderem refletir a nossa própria jornada, são também o espelho do que acontece no coletivo! Podemos sentir-nos a princesa ou o príncipe bondosos, um ou uma guerreira como também a bruxa má, o vilão com a ânsia de destruir tudo o que está à nossa volta e podemos senti-lo em diversas áreas da nossa vida. O mais curioso é que em cada uma das personagens há etapas e desafios para ultrapassar que mais tarde levam a um amadurecimento, ao encontro daquilo que desejam e, principalmente, ao encontro com elas mesmas. Neste caso, ao encontro connosco próprios, pois as personagens principais das nossas estórias, somos nós!

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