O CABELO DA RAPUNZEL

O CABELO DA RAPUNZEL

DSC04653.jpgQuando pensamos na Rapunzel lembramo-nos de uma donzela, presa numa torre com um enorme cabelo pelo qual subiria um certo príncipe apaixonado… mas esse enorme cabelo não existe para que o príncipe suba, o seu significado é bem mais profundo. Quem conhece o conto original ou viu a versão de Enrolados da Disney, percebe um aspecto em comum. Uma bruxa má que se apodera da menina e a mantém presa numa torre proibindo-a de cortar o cabelo. Em Enrolados percebemos inclusivé que quando a menina canta, o seu cabelo tem o dom de manter a mãe mais jovem… ora aí está!

Um dos simbolismos do cabelo da Rapunzel está relacionado com esse cordão umbilical que a liga à mãe e que em determinado momento terá de ser cortado para que a jovem possa finalmente viver os seus sonhos e aspirações, caso contrário é como se efetivamente estivesse presa numa torre. Já a bruxa representa esse lado negativo que em determinado momento vemos nas mães e que nos obriga a amadurecer. Neste caso, representa também um aspecto bem atual na sociedade de hoje, o medo de envelhecer. Esta mãe bruxa procura manter a sua filha presa a si, pois através disso consegue manter-se jovem, como se o papel de mãe lhe desse sentido de vida e não soubesse viver para além disso. O cabelo da Rapunzel pode também representar ideias e pensamentos que se vão acumulando, mas que não se conseguem colocar em prática por ainda existir “esse cordão” ligado à mãe.

Em algum momento da vida, todas nós passamos por este processo… estarmos no castelo acalentadas pelo calor e colo da mãe e a resistência em sair é enorme, pois muitas vezes o mundo lá fora parece perigoso e desafiante. Cortar essa ligação é saudável na medida em que iniciamos a nossa própria jornada de vida, procurando vivenciar e experienciar as nossas ambições e propósitos. No fundo, amadurecendo, criando a própria identidade, aquilo que recebemos e aprendemos da mãe ao longo de tantos anos vai connosco, mas agora é a nossa vez de viver o mundo.

Da mesma forma, para quem é mãe e como qualquer fêmea na natureza, chega o momento de deixar as crias irem, de se libertarem, criarem a própria vida. Esse é um belo ato de amor, as filhas, filhos, as crias, levam o amor e aquilo que aprenderam para construírem a própria vida, com autonomia e segurança e a mulher mãe, pode agora também redescobrir-se enquanto mulher e viver novas vontades, novos propósitos e aceitar ao mesmo tempo o processo dos ciclos de vida!

Que bela jornada esta para ambas!

Tangled-movie-image

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