A MÃE BRUXA

A MÃE BRUXA

DSC03408xxx.jpgHá sempre tanto a dizer sobre a mãe, sobre a sua dedicação, o seu amor, a sua nutrição… e quem ensina a mulher a ser mãe? A sua própria mãe! Somos um encadear de mães ao longo de gerações que nos trazem até hoje e, com ou sem filhos, toda a mulher é mãe… de si mesma na forma como se cuida, como se nutre. Mãe dos seus projetos que cria e dedica, mãe das suas decisões e vontades e, lembrando ainda, que por detrás da mãe, existe a mulher, esquecida tantas vezes de si mesma por já se ter perdido nos seus papéis!

Todas temos a mãe ideal, a mãe certa para a nossa vida e para as experiências que viemos aprender e faz parte do processo que a mãe em algum momento da vida se torne uma madrasta… Porquê? Para que possamos amadurecer e crescer enquanto mulheres. Se pensarmos nos contos de fadas, em muitos deles a mãe morre e é substituída pela madrasta supostamente má e que inferniza a vida da filha! O que é que isto significa?
No início tudo é belo. A nossa mãe é única, a nossa rainha, mas há um momento do nosso crescimento em que parece que essa nossa mãe se transforma, não nos deixa sair, não aceita as coisas como nós gostaríamos. Sentimos que não nos compreende nem nos apoia, tantas vezes nos crítica e que já nem quer saber de nós. Nesse momento começamos a olhar para ela como uma madrasta! Pois é, nos contos de fadas, a mãe e a madrasta são a mesma pessoa e significa que em algum aspeto da nossa psique, essa mãe doce tem de “morrer” e manifesta-se a madrasta para que possamos amadurecer… não é por acaso que é nessas partes dos contos que as princesas se emancipam, tornam-se autónomas e criam a sua própria identidade. Caso contrário, e se isso não acontecesse, estariam confinadas a ser as eternas filhinhas identificadas com a própria mãe, completamente dependentes desta e sem nunca descobrirem o seu verdadeiro eu, o seu verdadeiro propósito.
De uma ou de outra forma é natural que isto tenha acontecido connosco enquanto mulheres. No entanto, algumas de nós parecem não ter compreendido a mensagem e ficam, de alguma forma, eternamente à espera que a madrasta se transforme novamente em rainha, numa esperança ilusória da infância, a dizer constantemente como uma mãe deveria ser ou agir numa tentativa infrutífera de corrigir a própria mãe, como se isso fosse possível ou houvesse um manual da mãe perfeita! Quanto aceitamos o processo desse amadurecimento e libertamos as expectativas de como a mãe deveria ser, libertamo-nos finalmente e podemos nós tornar-nos as rainhas da nossa própria vida!
Cada mãe faz sempre o melhor que sabe de acordo com aquilo que recebeu da sua própria vida e educação e o maior ato de amor que uma mãe pode ter, foi aquele que nos permitiu estar aqui, foi dar-nos a vida, permitir que pudéssemos continuar com o legado e que pudéssemos fazer as nossas próprias escolhas.
Às mães, avós, bisavós, antepassadas, cabe-nos agradecer por estarmos aqui, honrar a história de cada uma com muita compaixão, pois essas mesmas histórias percorrem o nosso próprio corpo e, acima de tudo, devemos continuar a deixa-las ser nossas mães, lembrando-nos de que nós é que somos as filhas. Se elas nos quiserem continuar a mimar com aquela sopinha, devemos receber com amor, pois da mesma forma que recebemos delas, entregamos depois com o mesmo amor às nossas filhas, aos nossos projetos e a nós mesmas!

 

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