O VAZIO

O VAZIO

DSC02292x.jpgUma das coisas que mais tememos é o vazio, o nada! Vazio em relação ao espaço, vazio em relação às emoções, aos pensamentos, vazio nas relações,vazio no coração, vazio seja do que for… tantos vazios que assombram e procuramos evitar. Como se lida com o vazio? Como se lida com algo que não existe? Como não conhecemos, tememos e, por isso, preferimos tantas vezes ter esse vazio ocupado com algo que nos esvazia da mesma forma o espaço, as emoções, os pensamentos, as relações, o estômago, o coração… a alma!

Mas o vazio oferece! O quê? Oferece o infinito! Pois quando nos permitimos esvaziar, ganhamos novo fôlego, novas oportunidades, novos limites. Experimentamos a leveza, a limpeza, recordamos o já esquecido nas memórias dos hábitos que nos esvaziaram e percebemos que naquele “espaço de nada” tudo é possível!

E então que tememos nós? O nada, essa falta de preenchimento, esse vazio assustador ou a possibilidade de tudo? A possibilidade e a responsabilidade de poder escolher conscientemente com o que preencher esse vazio? A possibilidade e a responsabilidade de poder ter boas oportunidades, de que as escolhas que eu faça possam dar certo, talvez até demasiado certo.

O tempo permite-nos avançar e evoluir, mas nem tudo o que nos rodeia nos acompanha na caminhada. Algumas coisas temos de deixar para trás e, talvez nesse momento, surja o confronto com esse vazio… talvez uma parte de nós saiba que o que está para lá desse vale possa compensar essa travessia. Talvez uma parte de nós deseje que o entorno espelhe o que de novo nos vamos tornando, mas a outra parte receie esse novo reflexo, essa nova imagem e, principalmente, o ver nada. Aquele momento em que nos vemos como que “despidos”, porque nos esvaziamos do que nos esvaziava, mas esse espaço vazio faz-nos ver o infinito que em nós habitava. Mas do que servirá este espaço em branco, se não para colocar o que nos  enriquece alma e acalenta o corpo? Tudo é uma escolha. Posso escolher preencher esse meu vazio com o encardido e bolorento que se arrasta dia após dia, pelo menos dá uma ideia de um falso preenchido, mesmo que sem bom aspeto, sem cheiro ou sabor e, com isso, a suposta transformação ficou apenas no patamar do “ter consciência que…”. Será só isso até ao dia em que esse bolor for ultrapassando as margens, tomar conta de tudo o que nos rodeia e, de repente, não relembramos mais quem éramos. Por outro lado, podemos escolher ultrapassar a margem desse vazio que não mais é do que a possibilidade do infinito que o universo tem para oferecer.

Não temas. Avança! Esse vazio nada mais é do que parte do caminho que tens feito até aqui, aquele que agora se apresenta para que possas ver a tua vida tal como é e que possas, pouco a pouco, preenchê-la com o que te inspira, da forma como tu desejas, com os teus limites.

O vazio é um nada que afinal é tudo, um espaço de transição, de mudança. O momento em que te vês como és e talvez isso te dê grande medo, mas só fazendo essa travessia ultrapassas as barreiras a que te impões e conheces de ti as partes esquecidas pelo pó dos tempos que foste preenchendo com o que te fazia sentido.

O vazio é um espaço e momento teus, não tentes preenchê-lo sem sentidos, pois os mesmos sem sentidos serão teus. Vive esse momento, ouve-o e ouve-te, conhece-te. Está nele, entrega-te e deixa-te fluir nesse espaço, é um momento de entrega para contigo mesma, de reconheceres a mulher em ti que já tinhas esquecido, essa que se revela agora e te convida a ir mais longe… e se isso acontece, é porque havia o espaço. O tal vazio, o infinito!

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