MAIS LEVE

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DSC02223-x.jpgHá já alguns anos que se alguém pegasse na minha carteira, verbalizava sempre “isto está muito pesado”. Eu ficava sempre “a sério?” mas ok, para mim estava no seu peso habitual e cada vez que olhava para dentro dela, percebia que não tinha nada a mais e ao mesmo tempo que não conseguia prescindir de tudo o que tinha lá dentro, além do costume: dinheiro, chaves do carro e casa, documentos, telemóvel, ainda tinha ter ter um estojo com canetas de imensas cores, um outro estojo com alguma maquilhagem, lenços de papel, pensos higiénicos, dois porta-moedas (um para moedas, outro para notas e cartões), um bloquinho de apontamentos e ainda sobraria espaço para alguma eventualidade. Encontrar algo lá dentro era uma odisseia para a qual só eu estava preparada e, mesmo assim, havia momentos em que até eu me perdia lá pelo meio, com uns quantos talões de compras. Se pensasse na possibilidade de trocar de carteira, teria de escolher outra tipo armazém. Sim, muitas vezes ouvi que a minha mala era a do sport billy (quem é da década de 80 vai perceber). Em algum dia que andasse mais de um lado para o outro a pé a carregar com ela, percebia que, de facto, estava pesada mas já se tinha tornado um hábito, afinal não tinha nada a mais, tudo me fazia falta e algo mais pequeno era praticamente impensável.

Num daqueles momentos de “mergulho interno” na busca de respostas para umas quantas questões existencias da minha vida e em que digo que estou farta e me apetece pegar na mochila e deixar tudo para trás tipo “Comer, Orar e Amar”, cai-me a ficha e vejo de facto que havia umas quantas coisas da minha vida das quais me queria libertar, das quais a minha alma estava cansada. Comecei a sentir uma necessidade concertrar o meu bem estar e a minha energia. Entendo a minha casa como uma extensão de mim mesma, tal como a minha carteira e percebo o quanto essa carteira fala de mim, da minha necessidade de controlar tudo, de ter tudo por perto. Isso refletia-se num peso enorme para mim que carregava diariamente e, ao mesmo tempo, o quanto isso estaria refletido em outras áreas da minha vida. “Estou farta deste peso, vou comprar uma carteira mais pequena” e fui, com a consciência de que ao fazê-lo estaria também a eliminar algumas coisas da minha vida, ou pelo menos, sem ter a necessidade de andar com essas mesmas coisas atrás de mim!

Passar de um armazém para um pequeno espaço não é tarefa fácil… e agora de que posso eu prescindir, o que é realmente importante para mim? É interessante como estes pequenos movimentos da vida refletem tanto sobre nós, e como que por uma tarefa tão simples de aparente brincadeira, faz com que se trabalhe o tal desapego e se dê atenção aquilo que é realmente importante, confiando e sabendo que sem toda a tralha atrás, tudo ficará bem! Escusado será dizer que a minha coluna vertebral agradeceu imenso, eu adorei a ideia de experimentar algo novo na minha vida e, curiosamente, até sinto aspetos da minha vida mais leves, como se com este pequeno passo tivesse ganhado espaço na minha vida para, quem sabe, o preencher com o que é realmente importante! Sim, falei em cima também da minha casa e a vida é tão sábia que vou ter obrigatoriamente de mudar de casa dentro dos próximos três meses. Acho que a vida me está mesmo a convidar a dar este passo, quando isto acontece, para mim significa que coisas novas podem estar para vir ou, simplesmente, porque é necessário dar importância ao essencial, a ti mesma, às relações que tens na tua vida, à tua família, aos teus amigos, à concretização do que realmente te inspira. A carteira foi apenas um reflexo e, óbvio, não está em causa o tamanho dela, isso é uma questão de gosto, mas do peso dela, do que carregamos nela e do que carregamos na nossa vida.

Olha em volta, aproveita o momento para deixares para trás essas “cargas” que acreditas precisar, arrisca-te a renascer experienciando fórmulas novas, escolhas novas, pessoas novas, um novo “eu”. Renasce e inspira-te em ti mesma. O bom da vida e dos ciclos é que nos dão constantemente estas oportunidades de recomeçar, de renascer e, lembra-te, os nascimentos são feitos com celebração, “rompe” a casca, liberta-te e celebra-te!

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