A ti, Mulher

A ti, Mulher

SONY DSCO que é que aconteceu contigo Mulher, que te esqueceste do amor pelo teu corpo que a tua alma escolheu, que o sujeitas a agressões impostas por estereótipos numa sociedade que procura iludir-te para que sejas perfeita, como se a imperfeição fosse defeito? Renegas a tua intuição, o teu instinto, os teus ciclos, a tua sabedoria interna, revoltas-te e competes com outras do teu género sem te aperceberes que quando o fazes, estás mais uma vez a ferir a ti mesma, porque uma, são todas! E o teu corpo fala com dor através das tuas mamas, do teu útero, dos teus ovários, da tua garganta para que percebas o quanto a tua alma chora ao não ouvires o seu apelo, ao teres-te esquecido que foste tu que escolheste ter esse veículo que te transporta, esse templo que agora repulsas, negas e magoas!

Quando vais tu acordar, Mulher, para a vida que ainda te espera, para te reconciliares contigo, para voltares a ouvir os impulsos internos que guiam os teus desejos, a tua criatividade? Quando vais tu, Mulher, libertar-te desse aprisionamento constante que se manifesta fora e dentro de ti e que te limitam? Que temes tu? Termerás o teu poder pessoal? Temerás o teu brilho natural? Temerás ser tu mesma por receio de críticas e represálias?

O que valorizas tu se não a ti? Quem valorizas tu se não a ti? Quem impões mais sobre a tua vida, os teus anseios, os teus desejos e devaneios se não tu mesma? Quem vive mais a tua vida do que tu mesma? O que significará para ti começares a viver e a viver-te por inteiro? Com as imperfeições do teu corpo que nada mais são do que as tuas características mais únicas, com as tuas gargalhadas mais espalhafatosas mas entusiasmantes, com os teus silêncios mais reveladores que conversam contigo mesma; com as tuas flutuações de humor que alguém apelidou de neurose por não perceber que eras feita de estações; com o companheirismo das que são iguais a ti como aliadas; com a sabedoria da tua intuição que sempre te mostra por onde é o caminho.

Que outros te digam o que não deverias ouvir sobre ti mesma é uma coisa, acreditares nisso é outra completamente diferente. Quem te diz o que não mereces ouvir é porque teme o teu poder e, por isso, procura fazer-te acreditar que não o tens. Sim, a própria sociedade faz isso. Faz isso quando procura lapidar a tua essência, o teu potencial, porque a tua forte doçura talvez não sirva, então inflama o teu melhor, moldando-te ao seu gosto, para que enquanto te preocupares a ser a perfeita desejada te distraias de ti no que verdadeiramente interessa. Eu sei, a nossa sensibilidade faz-nos tantas vezes acreditar nas ratoeiras oportunas, talvez seja esse o nosso maior ponto fraco, mas está tudo certo. Temos sempre a oportunidade de acordar para nós mesmas, pois em algum momento, o gps interno dá o sinal de “vai no sentido errado, faça inversão de marcha” e estaremos sempre a tempo de nos recuperarmos, reinventar-nos, reconstruimos e seguir o nosso próprio caminho, nos nossos corpos perfeitamente imperfeitos, gargalhando, intuindo, valorizando o nosso temido brilho aliado ao brilho de outras como nós!

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