CONSTELAÇÕES FAMILIARES

CONSTELAÇÕES FAMILIARES

SONY DSCDesde que criei o blogue, muita gente me tem perguntado o que é isto das “constelações familiares”, hoje vou procurar dar alguma explicação sobre o tema. Antes de mais, quero que fiquem a saber que todo o trabalho que desenvolvo, do qual falo, que aplico, ou escrevo, foi em algum momento experimentado por mim. Sempre gostei de perceber a eficácia das coisas e, numa primeira fase, estar no papel de espectadora para depois poder recomendar. As constelações sistémicas não foram excepção.

 No âmbito do meu desenvolvimento pessoal, realizei várias sessões como cliente, afinal tenho uma história familiar bastante vasta e interessante (e talvez por isso me tenha apaixonado por esta metodologia) e o meu processo foi tão revelador e libertador, que enquanto terapeuta, quis igualmente fazer formação nesta área, pois acreditei que seria uma ferramenta muito útil para acrescentar às sessões que já fazia.

 Constelações… quando o nome surge, toda a gente pensa o mesmo… Estrelas? Planetas? Algo assim muito esotérico? Nada disso!

Se pensarmos bem, um determinado conjunto de estrelas compõem uma constelação e também assim acontece numa família e em determinado grupo (sociedade, cultura, trabalho, amigos, etc), em que são “aqueles” elementos que constituem esse mesmo grupo e se influenciam entre eles, onde cada um tem o seu papel. No entanto e sem dúvida, a família, sendo o primeiro grupo em que estamos inseridos desde que nascemos e com uma história genealógica, é o que mais influência tem em nós.

 Esta metodologia foi criada pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, que através dos seus estudos e observações, percebeu que determinados comportamentos e padrões se repetem nas famílias ao longo de gerações. Essas repetições estão muitas vezes associadas àquilo que ele chamou as “Ordens do Amor”. Nestas ordens, estão inseridas 3 leis, que são a base do equilíbrio de uma família, de uma relação e da prosperidade. Quando alguma destas leis é ultrapassada (e isso acontece muito facilmente e naturalmente), isso traz consequências de desequilíbrio que se manifestam em doenças de várias ordens, problemas de trabalho, relacionais, com dinheiro, sentimentos negativos, entre outros.

 Para que fiquem com uma breve ideia destas mesmas leis:

Lei de Pertencer (todos os elementos da família têm direito a pertencer ao sistema, se algum membro é excluído, outro tomará o lugar e repetirá o destino). Esta lei aplica-se àqueles casos em que queremos, por algum motivo ou mágoa, ignorar ou esquecer determinado elemento da família. Por mais que se tente, isso não pode acontecer, todos pertencem, queiramos ou não.

 Lei da Hierarquia (os que chegaram antes precedem os que chegam depois). Não está em causa o grau de importância, não são os que chegam antes que são mais importantes, nada disso. É só uma questão de lugar e precedência que deve ser respeitada, inclusive a relação do casal tem precedência sobre os filhos, simplesmente porque para existirem os filhos, teve de haver uma relação de casal (e esta lei, digam lá, é tantas vezes ultrapassada, de forma inconsciente). Sem hierarquia, não há harmonia.

 Lei do Equilíbrio (se damos, temos de receber de forma equilibrada, não dando mais ou recebendo mais. Falo de relações horizontais, como a de casal, por exemplo. Já no caso daquilo que recebemos dos nossos pais, oferecemos naturalmente aos nossos filhos e/ou sociedade). Se tentamos inverter o processo, é como se procurássemos fazer com que uma cascata invertesse o seu curso e isso, não só é impossível, como traz fracassos.

 Claro quando alguma destas leis é ultrapassada, é por amor, por isso Bert Hellinger lhes chamou “Ordens do Amor”, mas a sua infração pode trazer desequilíbrios que conseguem ser mais fortes do que o próprio amor.

 Este é um trabalho que funciona a nível da alma e do inconsciente, e como diz aquela expressão “quem vê de fora, vê melhor”. Permite um olhar com amor e “de fora” em relação ao que acontece no sistema familiar de cada pessoa, para que se possa ordenar e possa finalmente haver uma libertação desses medos, dificuldades, culpas e relações problemáticas. Caso contrário, a tendência é voltarem a repetir-se, resultado dessa lealdade que temos com o nosso sistema. Uma ligação invisível, mas completamente influente.

 Por isso, o propósito das constelações familiares é que possamos olhar com aceitação, respeito e agradecimento para o nosso sistema familiar, o que nos levará a uma consciência maior que reconcilia e integra todos os elementos da família que nos deram direito à vida.

 Este é um processo interno. Essa reconciliação, integração, aceitação, respeito e agradecimento acontece dentro de cada um de nós. Não é necessário ir a correr atrás dos elementos da família. Afinal, por vezes, eles já nem estão presentes fisicamente. O importante é que tudo aconteça dentro de nós. Basta reparar que no caso de uma árvore, quando algum dos ramos se enfraquece, está comprometido o bem-estar de toda a árvore. O mesmo acontece com a nossa árvore genealógica da qual descendemos, basta que algo aconteça em algum elemento (por exemplo a exclusão do pai, ou mãe, irmão, ou outros elementos) e isso acaba por nos enfraquecer. Quando isso é recuperado, ganhamos vitalidade, leveza e a capacidade de viver realmente de acordo com o nosso propósito de vida.

 As constelações podem ser realizadas em grupo, onde outras pessoas participam e vão representar elementos familiares de alguém que esteja a constelar o seu tema familiar ou, então, em consulta individual onde são utilizadas ferramentas que façam essas mesmas representações, como por exemplo bonecos (eu utilizo muito bonecos familiares e de contos de fadas). De uma forma ou de outra, é um trabalho maravilhoso, de muita compaixão e libertação, sem qualquer julgamento. Afinal, todos temos uma família e tantas vezes o que acontece na história do outro é tão semelhante à nossa própria história.

 Futuramente escreverei mais artigos sobre este tema, pois é um tema não só muito interessante mas também que cativa a curiosidade das pessoas. Podem sempre vir assistir a um workshop para terem a oportunidade de perceber como tudo acontece, ou então experimentar uma consulta individual.

2 thoughts on “CONSTELAÇÕES FAMILIARES

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