PRINCESAS E CONTOS DE FADAS

PRINCESAS E CONTOS DE FADAS

_mg_9087Recentemente, têm surgido muitos artigos a menosprezar os contos de fadas e as princesas, porque segundo consta, isso torna as meninas frágeis, inseguras e dependentes de um príncipe encantado que surge num cavalo branco e blá blá blá…

Passei a minha infância envolvida em contos de fadas, fosse para me fazer comer às refeições ou fosse para dormir, pois como sabem naquela altura não haviam vídeos do youtube. Eram-me contadas histórias mágicas que estimulavam a minha imaginação através de um livro já antigo e já sem capa, que ainda hoje guardo com devoção. Um pouco mais tarde, as personagens dos livros saltaram para o grande ecrã e para as cassetes de vídeo, grande responsabilidade da Disney, que apesar de ter feito algumas alterações aos contos originais, para uma criança, ver contos na tv era o entusiasmo e alegria completas.

Tenho agora 35 anos e continuo a devorar contos de fadas e novos filmes. Estou completamente a par de tudo o que se passa, conheço novos contos semanalmente nas aulas online de interpretação de contos de fadas e percebo que esse meu gosto não fez de mim uma mulher frágil, à espera de um príncipe salvador.

Os contos de fadas, como disse, estimularam muito a minha imaginação e criatividade, fizeram-me acreditar que é possível alcançar os nossos sonhos, que tudo tem um processo, um tempo certo para acontecer e, por isso, ensinam a paciência, a persistência e a humildade.  Ensinam que há momentos em que nos sentimos “perdidas na floresta”, mas que esse é também o momento da autodescoberta e do desenvolvimento interior. Ensinaram-me a conectar com os meus instintos e intuição, a ser fiel comigo própria e com a minha verdade e a ser delicada e sensível, mas também forte e corajosa, a ser princesa da minha vida e a guerreira das minhas causas.

Nem imaginaria eu que o meu gosto pelos contos de fadas se tornaria uma inspiração para o que faço hoje, pois estudo análise de contos de fadas segundo a perspetiva junguiana, pois já Jung reconheceu a importância destes como arquétipos do inconsciente coletivo. Os contos de fadas estão também presentes nas minhas consultas individuais, formações de coaching e constelações sistémicas!

Pergunto eu: Qual o problema de se gostar de contos de fadas e de príncipes e princesas? E se uma criança gostar? Vamos dizer-lhe que não pode ou, se pode, é só de guerreiras? Porque se procura reprimir este contacto quando seria tão sanador desenvolvê-lo?

Quem não gosta tem o direito de não gostar e está tudo bem, mas para quem ama (como eu), é um aspeto a ser estimulado. Quem sabe daí não se revelam talentos escondidos? Talvez se este meu gosto não tivesse sido incentivado, eu não faria as terapias que faço e que tanto me inspiram. Os contos de fadas mostraram-me um caminho!

Por isso, mãe, obrigada por me teres criado princesa e guerreira. Aliás, nem eu merecia menos!

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